segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Namore uma garota que lê.


(De Rosemary Urquico.)

Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.

Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criado pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro. Compre para ela outra xícara de café. Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gostaria ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa. É que ela tem que arriscar, de alguma forma. Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.

Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.

Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.

Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.

Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.

Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.

Carta para as melhores amigas.


Hellen Pimentel.
28 de setembro de 2011. Brasil, Rio de Janeiro.
Kéren Maria e Bruna do Carmo.

As coisas mais importantes...

Eu já me peguei pensando se é possível viver sem uma de vocês duas aqui perto de mim. Já me peguei pensando o que seria da minha vida sem vocês aqui. Não são semanas nem meses que estou com vocês, e sim anos. Anos e muitos risos e sorrisos. Anos de felicidade, de choros, brigas e reconciliações. Mas me diz, quais são as amigas que não brigam? Não, perai, deixa que eu mesma responda essa: as falsas.
Eu tenho tantos planos para nós três. Tenho tantos planos para daqui à, sei lá, uns 8, 10 anos. Sonho com nós três saindo para curtir a noite andando na beira da praia, rolando na areia de rir uma da outra, e vivendo essa amizade que é tão boa de curtir com vocês. Sonho com as festas do pijama continuas e repetitivas durante a semana. As pipocas queimadas (no caso se não for a minha) e brigadeiros grudados no fundo de uma panela.
Deus me deu vocês para que eu cuidasse com carinho, e é isso que eu vou fazer. Para dizer a verdade, acreditem se quiser, eu nunca quero sair do lado de vocês. Nunca quero perder o contato, nem que seja por um mês. Vocês podem estar à mil metros de distância, eu vou a pé, de bicicleta e ainda fico gostosa pela viagem, mas o importante é que eu vou poder ver vocês mais de perto.
Ás vezes eu tenho medo do que o futuro pode fazer com a nossa amizade, na verdade, ela já está em risco por causa do tempo. Ano que vem vamos para o primeiro ano do ensino médio, e sabe-se lá Deus para onde cada uma vai. Claro, eu quero montar minha vida, fazer vários cursos e começar a caminha em direção à vitória, mas o que será de mim se eu não tiver vocês lá quando levantar meu troféu? Eu preciso de vocês comigo para bebermos aquela champanha gelada e partimos para Paris, e detalhe, tudo por minha conta, enquanto reblogamos posts do Tumblr do nosso ipad e rimos das bobeiras da Bruna e babamos com os meus romances. Kkkkkkkk.
Mas a verdade é que, daqui à esses anos, podemos estarmos separadas e nem lembramos muito uma das outras. Já estaremos com nossas responsabilidades e contas para pagar. Mas um dia, vamos arrumas a bagunça e velharia de quando éramos mais novas, e acharemos todas as cartas escritas, todas as fotos tiradas, todos os presentes dados, e na hora nossos olhos se encherão de lágrimas e um sorriso surgirá no nosso rosto, por lembrarmos dos bons tempos que passamos juntas. Vamos rir ao lembrar as besteiras da Bruna, da inocenta da Kéren e das minhas caras de idiota. Eu só queria que isso não acontecesse. Eu não queria que o tempo passasse. Eu quero vocês aqui, sempre. E agora, enquanto choro e escrevo isso, sei que nessa hora vocês também estarão com os olhos cheios de lágrimas, ou até chorando mesmo. E nesse momento, nesse mesmo momento em que eu terminarei de ler esse pequena carta, irei abraçar vocês e nunca mais querer soltar.
De sua amiga que não quer perder vocês,

Hellen Pimentel.

Email para a Modo Editora.

Olá Modo Editora. Eu sou Hellen Pimentel, tenho 15 anos e tenho vocês como amigo no facebook, e não pude deixar de me alegrar com a publicação que vocês fizeram sobre Novos Autores. Eu achei bem interessante a pergunta que vocês fizeram na publicação “Sua obra é realmente boa? Você confia em seu potencial como escritor?” Eu sei bem responder essas perguntas. Sei responder muito bem, só para variar. Sim, eu acredito que minha obra é realmente boa porque amigas minhas já leram, e elas pedem pelo segundo volume a toda hora. Alguns primos, tios também leram, e teve um que disse que daqui a pouco eu vou ser a J.K Rowling de 15 anos. Eu acho que ele exagerou, pois nunca serei comparada pela ilustre J.K, mas acho que foi um bom elogio da parte dele. E eu acredito em mim acima de tudo. Eu acredito que sou capaz de fazer história na literatura brasileira. Sou capaz de lutar até o ultimo segundo e mostrar o que posso fazer com apenas um papel e uma caneta em mãos. Faz um tempo que eu venho tentando a sorte em editoras, mas parece que alguma delas nem mesmo leram meu livro. Eu fui aceita pela Editora Novo Século, mas eles estavam pedindo uma quantia muito grande, e eu não tinha de onde tirar tanto dinheiro e infelizmente eu tive que negar. Eu queria tentar com vocês. Eu posso mostrar que sou capaz. Posso mostrar que posso mudar qualquer conceito, mas eu preciso apenas de uma oportunidade. Eu preciso de uma oportunidade para mostrar ao mundo quem eu realmente sou e o que posso fazer. Uma oportunidade é o que eu preciso para mostrar que uma menina de 15 anos escreve mais do que muitos escritores famosos por ai. Eu acredito que posso fazer isso. Espero mesmo que vocês possam acreditar em mim, e digo que podem apostar todas suas moedas nessa menina aqui. Suas moedas voltarão para vocês em dobro, triplo, e as pessoas vão falar, elogiar e comentar. Eu acredito em mim acima de tudo.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Venha...



É inevitável pensar em você e não sorrir. É impossível passar aquele tempo que rolo na cama antes de dormir, sem pensar em você. Cada batimento acelerado do coração, cada sorriso marcado pelo tempo, cada pensamento fantasiado pela criatividade, cada toque inventado pela ansiedade, cada lágrima calada pela realidade. Mas se eu fosse pedir algo, pediria você aqui comigo. Pediria seu abraço, seu carinho, seu sorriso. Pediria seu amor e sua confiança. Sua força e sua lealdade. Suas palavras e seu coração. Vem, chega a mim. Apareça-me como um anjo de asas brilhantes. Como um soldado de armadura reluzente. Como um príncipe em seu cavalo branco. Vem, e cola seu sorriso no meu. Vem e me mostre quem você realmente é, e me explique o porque disso tudo estar acontecendo. Venha, e eu te ensinarei a voar nas costas do vento. Darei-te inspiração para sonhar, liberdade para acreditar. Venha, e nós dois cresceremos juntos debaixo da vontade de Deus. Venha, e criaremos a eternidade. Mostre-me que vale a pena amar. Pegue minha mão e me ensine a acreditar novamente nesse tal amor. Mostre-me a realidade dessa palavra que nunca, ninguém consegue entender. Me de uma razão para continuar. Seja minha razão. Minha motivação. Chegue a mim como o único, e me mostre que você é diferente. Mostre-me que somos feitos um para o outro. Que quando estivermos deitados na minha cama, na calada da noite, nosso silêncio seja palavras. Que nossos olhares sejam cheios de significados. Que nossos beijos sejam arrebatadores. Chega a mim, por favor. Chega a mim e me mostre que ainda a esperanças para tudo o que resta do meu coração partido. Chega a mim... Chega a mim... Chega a mim... Você parece um sonho tão distante. Parece um pensamento criado pelo meu subconsciente. Eu não sei o seu nome. Eu não sei como você é. Eu nem sei onde você está, mas te sinto bem aqui. Sinto você perto, e ao mesmo tempo longe. Imagino o seu cheiro, suas expressões, seu sorriso torto, seu afago, seu toque, sua voz sussurrando meu nome, sussurrando palavras de amor. Imagino seu abraço, imagino, imagino, imagino... Cansa imaginar, mas eu anseio para que a noite chegue, e enfim eu descanse minha cabeça no travesseiro, podendo começar minhas fantasias com você. Podendo começar a imaginar de novo como seria se você tivesse aqui. Venha, e me mostre que ainda á esperanças para tudo o que ainda resta em mim.
Venha, e restaure o meu coração.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Tô bem.


Hoje me perguntaram se eu estava bem, e eu respondi com a maior tranqüilidade, “sim”. Mas o que eu queria ter respondido era:

É claro que eu estou bem! Bem mal, bem cansada, bem confusa. To bem chateada, bem triste e bem quebrada. To bem querendo quebrar a cara de alguém, e querendo chorar a qualquer momento. To bem deixada de lado e passando por despercebida. To bem invisível pra quem eu mais quero que me veja. To bem sensível e querendo me enfiar em um buraco. To bem, mesmo. Ótima, na verdade. Ótima em fingir que tudo está bem com um sorriso. Ótima em fazer piadas e mostrar que pareço bem. E o mais irônico é que as pessoas acreditam bem.

domingo, 6 de novembro de 2011

Aquela mudança.


Tudo mudou depois que eu te vi. Mudou pensamento. Mudou meu modo de encarar a vida do jeito chato de ser. Mudou o batimento no meu coração. Mudou o jeito de meus olhos vêem, meu coração sentir e meus lábios sorrirem. Minha vida recebeu uma onda de cores e sentimentos, que nunca senti ou vi antes. Ainda tento fechar meus olhos para essas cores e sentimentos que rodeiam a minha volta, mas eu sei que tudo passa quando eu te vejo de novo. E assim como o tempo passa, você vai embora, e tudo volta a ser como era antes. Como se você nunca tivesse aparecido.

sábado, 5 de novembro de 2011

Expressando tudo em papel.

Eu fecho meus olhos e deixo às palavras fluírem. As lágrimas correm por meu rosto como se o mundo fosse acabar como seu tudo fosse desmoronar. Eu respiro fundo e tento enganar a minha mesma que tudo está bem. Deixe-me falar... Engano-me muito mal. Até a mim mesma eu não estou conseguindo convencer. Como vai ser? Como tudo vai ficar? O nó na minha garganta não ajuda em nada, apenas me faz lembrar as lágrimas anteriores, que me fazem lembrar o porquê de eu estar chorando, e começa tudo de novo.
Meus dias estão passando e eu não estou sentindo. Eu sorrio como se fosse mesmo a verdade. Como se valesse a pena. Tudo bem, não vale pra mim, mas as outras pessoas parecem gostar dele. Acho que elas não pensariam assim de soubessem como está tudo aqui dentro.
Antigamente eu fechava meus olhos e via coisas bonitas. Eu conseguia voar nas costas da imaginação em lugares ESPETACULARES, mas agora, eu fecho meus olhos e só consigo ver um quarto escuro e vazio, quando a única luz existente é de uma janela no alto da parede, e dentro desse quarto tem uma menina sentada no chão, com a cabeça entre os joelhos. Ela chora, chora e chora. As paredes estão arranhas e é tudo imundo. É isso que eu estou vendo quando fechos os olhos. Estou vendo que as coisas estão escuras por dentro de mim.
Está tudo MUITO confuso, isso é um fato. É uma das coisas de ser uma adolescente, por mais que eu não me sinta uma. Dá vontade de sair, e na mesma hora dá vontade de ficar em casa. Eu quero conversar com pessoas, mas quero ficar sozinha. Eu quero sorri, mas as lágrimas chegam primeiras.
Eu não queria que fosse assim. E não quero. Mas não sei o que fazer, nem como fazer. Parece que preciso que você venha me salvar.